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Sobrado: habitações de dois pisos de arquitectura de estilo colonial. Eram construídas aproximadamente a fins do século XVIII e princípios do século XIX. Restos de uma sociedade escravocrata, os sobrados eram as casas da aristocracia rural de São Filipe onde os andares superiores eram reservados a habitação dos proprietários, e os pisos térreos se destinavam a lojas e armazéns.
Não se conhece o primeiro dono deste sobrado porque não consta no livro de registo nas finanças. Teria sido comprado por Henrique de Oliveira, quando desempenhou o cargo de Administrador do Concelho do Fogo, para posteriormente aparecer como propriedade de Aníbal Henriques “Nhô Aníba”, personagem que exerceu alguma influência na cidade de São Filipe pelos seus ideais políticos.
Localizada no rés-do-chão do seu sobrado, ficava a loja Nhô Aníba que comerciava com fazendas ou outros artigos. Politicamente eram bem conhecidas suas ideias antiregime e antisalazarista de Nhó Aníba.
Socialmente em diversas ocasiões, Nhó Aníba reivindicou a abolição dos preconceitos raciais e pela democratização da sociedade Foguense. Já quando era jovem, e quando da constituição do Grupo “SETE ESTRELO” em 1917 que foi criado quase exclusivamente para desenterrar a Bandeira de São Filipe, Nhô Aníba havia defendido insistentemente a inclusão do grupo de elementos mestiços. Mais tarde formou grupo desportivo “LUSO”, constituído por indivíduos pertencentes às então chamadas “segunda” e “terceira” “sociedades”. Naquele tempo, nos jogos que se realizavam a primeira “sociedade” torcia-se pelo grupo “ONZE ESTRELAS”, entregado predominantemente pela elite da vila.
Nas festas da bandeira foi ainda, Nhô Aníba que começou a convidar para nelas tomar parte elementos da camada popular e até o interior da Ilha o que, na altura, causava grande indignação entres as gentes mais conservadoras. (BARBOSA e SILVA, 2018).
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